Sociedade Central de Cervejas e Bebidas
A Sagres por dentro
Para quem viajava pela A1 entre Lisboa e o Norte, ha uma silhueta que marcava o horizonte como um ponto de referência inevitável : o edifício da Maltaria da Central de Cervejas. Durante décadas, foi simplesmente "a Sagres". Nascida em 1934 da fusão de quatro cervejeiras portuguesas, a Sociedade Central de Cervejas cresceu até se tornar uma das marcas mais icónicas do país , e em Vialonga, toda essa história ainda está viva.
O cheiro que anuncia tudo
A visita começa antes mesmo de entrar : edifícios imensos, o logótipo da Sagres em letras gigantes, fotografias enormes dos colaboradores nas paredes. E depois, de repente, chega o cheiro. O cheiro da maltaria : quente, profundo, inconfundível. Prepara tudo o que se vai seguir.
"A primeira etapa é a descoberta das matérias-primas. Paula convida os visitantes a provar a cevada em bruto : um gesto simples que muda tudo, porque a partir desse momento já não se é apenas espectador."
Percorrem-se corredores de cores diferentes até chegar ao coração da fábrica : a maltaria. Primeiro, o sistema de gestão e a parte informática, a inteligência invisível que comanda tudo. Depois, as cubas de fermentação. Ver a cevada em fermentação é um espetáculo em si mesmo : remoinhos, espuma, um calor que se sente na pele. A cerveja está viva.
O choque visual da linha de engarrafamento
Segue-se a cervejaria, e depois o choque visual mais intenso de toda a visita : a linha de engarrafamento. Milhares de garrafas em movimento, padrões geométricos, cores, um ballet industrial totalmente automatizado que hipnotiza. A visita passa também pelo museu da empresa, onde décadas de história se revelam através de objetos, retratos dos colaboradores e dirigentes da empresa, maquete das infraestruturas e obras de arte. No final, saboreiam-se as várias marcas da Sagres bem frescas, acompanhadas dos tradicionais tremoços.
Os guardiões da receita
A visita é conduzida por uma equipa que conhece cada canto desta fábrica. A Paula é entusiasta e com um conhecimento notável. A sua paixão pelo ofício e a generosidade com que a partilha tornam a experiência verdadeiramente memorável e elevam a visita a algo muito mais do que uma simples visita a uma fábrica.
Tudo o que precisa de saber.
As visitas são totalmente gratuitas. Contudo, face à atual conjuntura económica e às dificuldades que afetam muitas das Famílias Portuguesas, a SCC quer sensibilizar os visitantes para contribuírem, de forma voluntária, com o mínimo de 1eur/visitante, para apoio a uma Instituição da Comunidade local.
Aproveite para descobrir a região.
O rio Tejo é o elemento central desta região : a frente ribeirinha do concelho estende-se por 22 quilómetros, com percursos pedonais e cicláveis que acompanham o rio em toda a sua largura. A maior zona húmida de Portugal, e uma das dez mais importantes da Europa, situa-se aqui mesmo, no estuário do Tejo, um paraíso para os amantes da natureza. No EVOA (Espaço de Visitação e Observação de Aves, inserido na Reserva Natural do Estuário do Tejo) é possível observar milhares de espécies de aves que habitam, invernam ou param nesta zona de grande valor ecológico durante a migração entre África e a Europa Ocidental. Para uma experiência ainda mais próxima do rio, não deixe de embarcar no barco varino "Liberdade" e navegar pelos baixios do estuário a partir de Vila Franca de Xira.
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